Júri popular de Claudia Hoeckler se estende com quase 12 horas de oitivas de testemunhas em Capinzal
- Jardel Martinazzo
- 28/08/2025 20:25

Como já era esperado, o júri popular de Claudia Hoeckler, acusada de assassinar o marido Valdemir Hoeckler e ocultar o corpo em um freezer na residência do casal, no interior de Lacerdópolis, tem se mostrado longo e complexo. O crime ocorreu em novembro de 2022.
A sessão começou pouco depois das 9h desta quinta-feira (28), no plenário da Câmara de Vereadores de Capinzal. Até pouco depois das 20h, nove das doze testemunhas previstas já haviam sido ouvidas, o que representa mais de 11 horas dedicadas apenas a esta fase do julgamento.
Por volta das 20h14min, a juíza Jéssica Evelyn Campos Figueredo Neves, revelou à reportagem da Capinzal FM que a intenção inicialmente é avançar à madrugada com o julgamento, mas uma decisão final será dada após a conclusão da oitiva das testemunhas, podendo serem suspensos os trabalhos, com continuidade na sexta-feira (29).
A reportagem apurou que duas das testemunhas não compareceram e, com isso, a última a se manifestar é a filha de Claudia, que começou a ser ouvida por volta das 20h30.
Após a oitiva das testemunhas, restará o interrogatório da ré, conduzido pela magistrada. Claudia poderá responder às perguntas formuladas ou exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio.
Na sequência, terá início a fase de debates, em que o Ministério Público e a defesa dispõem de 1h30min cada para apresentar suas teses, iniciando-se pela acusação. Caso haja réplica e tréplica, cada lado contará com mais 1h para manifestações adicionais.
Concluídos os debates, os quesitos são lidos em plenário e encaminhados ao corpo de jurados — formado por quatro mulheres e três homens — que se reúnem em sala reservada para a votação secreta. O resultado é definido por maioria simples. Ao final, a juíza elabora e lê a sentença em plenário.
Na defesa, atuam os advogados Matheus Molin, Gabriela Bemfica, Jader Marques, Casseano Barbosa, Tiago de Azevedo Lima, Eduardo Rebonatto e Guilherme Pittaluga Hoffmeister. A estratégia é sustentar que Claudia teria sido vítima de violência doméstica ao longo dos 20 anos de relacionamento e que o crime ocorreu nesse contexto, sem premeditação. Para isso, os defensores pretendem apresentar testemunhas, boletins de ocorrência e laudo psiquiátrico.
Já na acusação, estão os promotores de Justiça Rafael Baltazar Gomes dos Santos e Diego Bertoldi, além do advogado Álvaro Alexandre Xavier, assistente de acusação. Eles sustentam a tese de homicídio duplamente qualificado — por meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Para a acusação, o crime foi premeditado e brutal, e a tentativa de caracterizar Valdemir como agressor não encontra respaldo nos autos.