OUÇA: Coordenador do SINDASP fala sobre estado de greve dos trabalhadores da CIDASC após mudança nas escalas de trabalho
- Jardel Martinazzo
- 03/03/2026 09:36

Os trabalhadores da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) decidiram entrar em estado de greve após a direção da companhia oficializar mudanças nas escalas de trabalho. A deliberação ocorreu em Assembleia Geral Extraordinária promovida pelo SINDASP, realizada de forma virtual na quinta-feira (26).
Em entrevista à Capinzal FM, o coordenador do sindicato, Maurício Ferrari, afirmou que o principal motivo do movimento é a forma como a empresa conduziu a alteração da jornada. Segundo ele, a categoria atua há cerca de 20 anos no regime de 24 horas de trabalho por 96 horas de descanso, modelo adotado especialmente em função da realidade dos servidores que atuam nas barreiras sanitárias.
Ferrari explicou que a maioria dos trabalhadores atua longe do município onde reside. Ele citou como exemplo o próprio deslocamento de Capinzal até Água Doce, na divisa com o Paraná, percorrendo cerca de 260 quilômetros para cumprir o plantão. Conforme o dirigente, o regime 24x96 foi estruturado justamente para compensar as longas distâncias, permitindo períodos maiores de descanso e convivência familiar, mesmo com trabalho em fins de semana e feriados.
A insatisfação aumentou após a presidência da Cidasc publicar Ordem Executiva determinando a implantação das escalas 12x36 e 12x48, vinculadas ao novo modelo de fiscalização chamado Projeto Invicta Olho Bom. De acordo com Ferrari, o sindicato não é contrário ao projeto, que prevê fiscalização volante nas divisas do estado com uso de veículos, mas critica a falta de diálogo com os trabalhadores que executarão as ações.
Outro ponto de preocupação, segundo o coordenador do SINDASP, é o fechamento de aproximadamente 30 postos fixos de fiscalização, as chamadas barreiras sanitárias. Com isso, restariam cerca de 15 pontos fixos em todo o estado. O sindicato alerta que, com a fiscalização volante concentrada durante o dia, poderia haver períodos noturnos sem fiscalização, o que, na avaliação da categoria, fragilizaria o controle sanitário nas fronteiras.
O estado de greve já foi
protocolado e há prazo de 72 horas para que a empresa se manifeste e abra
negociação. Esse período encerrou ontem, às 16h38. Caso não haja avanço no diálogo, existe a possibilidade de
paralisação a qualquer momento. Ferrari reforçou que a categoria não deseja interromper os
serviços, mas pede que a direção da companhia reabra as conversas e avalie
alternativas que não prejudiquem os trabalhadores nem a população.
A reportagem deixa espaço
aberto para manifestação da Cidasc sobre os pontos levantados
pelo sindicato.
Nota Pública
Os Auxiliares e Agentes Agropecuários da CIDASC sempre estiveram na linha de frente da defesa sanitária animal e vegetal em Santa Catarina.
Ao longo de décadas de trabalho técnico, responsável e comprometido, contribuíram para que o Estado se tornasse referência nacional e internacional na comercialização e exportação de produtos de origem animal e vegetal.
Foi esse trabalho que garantiu, até então, à Santa Catarina o status de único Estado brasileiro livre de febre aftosa sem vacinação, assim como o controle de acesso de pragas e doenças aos pomares e lavouras catarinenses, assegurando segurança alimentar e sanidade animal e vegetal, resultando em credibilidade internacional e impacto direto e positivo no PIB catarinense.
Apesar desse histórico, a atual gestão da empresa, de forma unilateral e intransigente, promove alterações profundas nas escalas, jornadas e locais de trabalho, atingindo diretamente mais de 450 famílias espalhadas por todo o Estado.
As mudanças impostas desestruturam completamente a vida dos trabalhadores, sem qualquer diálogo, estudo técnico ou respeito às condições humanas mínimas de trabalho.
Mais grave ainda: anuncia-se a intenção de exigir que empregados desempenhem suas funções dentro de veículos, sem qualquer garantia de atendimento às necessidades fisiológicas básicas, afrontando a dignidade humana, a legislação trabalhista e as normas de saúde e segurança do trabalho.
Ao mesmo tempo em que se divulga um investimento de 44 milhões de reais, nada é apresentado em termos de valorização, respeito ou reconhecimento àqueles que efetivamente construíram e sustentam a potência sanitária e econômica de Santa Catarina.
Pelo contrário: direitos são retirados, condições são precarizadas e o diálogo é substituído pela imposição.
Diante desse cenário, os auxiliares e agentes agropecuários da CIDASC informam que, a partir de quinta-feira, dia 26 de fevereiro de 2026, entram em estado de greve.
O aviso formal de greve já foi devidamente encaminhado à empresa.
Este comunicado tem como objetivo informar o que está sendo feito com os trabalhadores, auxiliares e agentes agropecuários da CIDASC, que, ao longo de décadas, também protegeram o patrimônio sanitário, econômico e social do Estado de Santa Catarina.


